Lidando com a “Terceira Idade”

Crônicas do Cotidiano > Lidando com a “Terceira Idade”

Nota da autora: Quando pediram, há alguns anos, que a gente preparasse um estudo relacionado com a “terceira idade”, achei que seria relativamente fácil. Entretanto, tive que mudar de opinião.
Em primeiro lugar, percebi que enquanto muitas das pessoas da nossa idade ainda têm irmãos, primos e tios com quem possam compartilhar o cuidado dos idosos da sua família, a gente mesma terá que enfrentar uma realidade bem diferente daqui a uns quinze ou vinte anos. Isso porque nossos filhos terão que dividir a tarefa de cuidar de nós com muito menos gente.

Quase que não existem mais famílias grandes! Afinal, achamos e ensinamos que é sábio planejarmos famílias menores. Assim, ambos os pais poderão continuar a trabalhar, e terão mais possibilidades de pagar pelos confortos e estudos que almejam dar a seus filhos. A maioria de nós tem um ou dois filhos e nossos irmãos e primos também.
Vamos fazer as contas para a situação da minha geração (50 anos e acima), primeiro voltando ao passado e, depois, imaginando o futuro. Usando o número quatro como parâmetro pelas três gerações (já fazendo uma média porque antigamente era muito mais!)— meus dois (2) avós maternos teriam tido três irmãos cada, que se casaram… Cada casal teve quatro filhos, que se casaram… Os 16 casais tiveram quatro filhos, que se casaram… Isso dá 168 pessoas! (E nem falamos dos meus avós paternos, ou dos parentes do meu marido.)
É claro que alguns parentes morreram ou permaneceram solteiros, outros brigaram, outros se afastaram… Mas veja quanta gente! Pessoas que amamos e por quem somos amados ou, pelo menos, tolerados, já que existem laços de sangue… Pessoas com quem não ficamos envergonhados quando estamos doentes ou necessitados e precisamos de cuidados especiais… Para quem ousamos ligar no meio da noite…Era assim. Ainda é um pouco assim.
Mas agora começamos de novo com a minha geração (de 50 anos e acima) e vamos olhar para o futuro e pelo outro extremo—aqueles de nós que tivemos apenas um filho e cujo filho e neto seguem a mesma tendência. O filho casa e ele e a esposa acabam tendo quatro pessoas para cuidar e NINGUÉM com quem dividirem a tarefa exceto, um dia, se tudo correr bem, o nosso neto e seu cônjuge!
E não podemos pensar que pára por aí. Afinal, muitos de nós passaremos pelo divórcio. Fora de pai e mãe, nosso filho poderá ter madrasta, padrasto, ou uma série destes… Qual vai ser a sua responsabilidade para com cada um nas horas de necessidade? Será primeiramente com aqueles que lhe geraram ou com aqueles que lhe criaram? E com quem irá compartilhar isto, se também passar pelo divórcio? Com um meio-irmão talvez? E num mundo globalizado, quais as chances do nosso único filho morar perto da gente? E aqueles de nós que deixarmos passar uns 30 a 40 anos da nossa vida antes de termos o nosso filho? Será que esse não estará ainda fazendo a sua pós-graduação quando ficarmos “velhos”?
‘Tá complicado! Mas não ouço ninguém falando destas realidades / possibilidades ou se preocupando seriamente com elas. No máximo, falamos do nosso sistema de previdência que um dia poderá falir, porque está sendo mal administrado e porque estamos vivendo mais anos. Paramos um pouco para pensar se isso realmente ocorrer. Se o governo cuidar mal de nós, se todas as nossas poupanças forem para o espaço, se não podermos pagar um convênio médico particular… Dizemos para os nossos governantes que eles precisam ficar atentos mas na hora de votar esquecemo-nos de cobrar isto deles…
De certo, creio que é bom pensarmos nestas coisas quando determinarmos o número de filhos que queremos ter e quanto iremos “investir” não só nos seus estudos mas no relacionamento com eles.Escrevi o estudo abaixo no fim de 2003, com o apoio e participação do meu marido, Solano. O texto é prático, bem menos apocalíptico que os pensamentos acima—apenas cita esses itens como possíveis problemas na vida daqueles que nos cercam e dos que nos seguirão.Tudo é diferente para quem faz parte da família de Deus, especialmente para aqueles que já vivem conforme os princípios tão claramente explicitados na Bíblia por Ele! Leia o texto e veja como podemos, você e eu, ter esperança enquanto fazemos (e sentimos) uma diferença na nossa família, na nossa igreja, na nossa comunidade e no nosso país. (Betty Portela—São Paulo, março de 2006).

A Terceira Idade—Sugestões para Ministrarmos a esse Crescente Segmento

O número de idosos em nosso país deve dobrar nos próximos vinte anos. Em face à crescente desestruturação e desintegração das suas famílias, quem irá cuidar deles? Qual deve ser o papel dos cristãos com relação aos seus parentes idosos? Qual a responsabilidade das igrejas e dos seus membros?

INTRODUÇÃO. “Respeite Meus Cabelos Brancos!” Assim é o título da matéria de capa de uma revista de renome. O artigo pergunta— Como lidar com nossos idosos e oferecer o carinho e os cuidados que eles merecem? e aborda a crescente percepção de que estamos em uma sociedade que não valoriza os mais velhos. E isto logo quando é a .população… que mais cresce no Brasil, devendo pular de 15 para 30 milhões nos próximos 20 anos.[1]

A Bíblia também cita os mesmos cabelos brancos. Devem ser considerados a beleza dos velhos e uma coroa de honra (Provérbios 20.29; 16.31). Precisamo-nos levantar e honrar a presença do ancião (Levítico 19.32). Este merece tanto respeito que não pode ser repreendido pelos mais novos, devendo ser apenas exortado (1 Timóteo 5.1). Vamos examinar como está sendo a nossa prática nesta área?

I. QUER VIVER MUITO? E BEM? CUIDE DOS SEUS PAIS!
Deus dá muita importância ao relacionamento dos filhos com seus pais. Podemos verificar isto pelo seu quinto mandamento (Honra a teu pai e a tua mãe—Deuteronômio 5.16) e através dos comentários feitos sobre o mesmo por nosso Senhor Jesus e pelo apóstolo Paulo. Tendemos a pensar mais neste mandamento como um incentivo útil para crianças obedecerem seus papais e mamães. Frequentemente nos esquecemos que o termo “honrar” é muito mais abrangente do que “obedecer”. O próprio Jesus citou o quinto mandamento e reclamou daqueles que evitavam fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua mãe dizendo que aquilo que poderia lhes servir havia sido reservado como algo a ser oferecido para o Senhor (Corbã). Ele estava furioso com aqueles que estavam sempre encontrando uma boa maneira de pôr de lado os mandamentos de Deus (Marcos 7.9-13NVI). (Um exemplo atual poderia ser um membro de igreja separar dinheiro para pagar a viagem de um missionário sem dar importância para o fato que seu próprio pai (ou sogro) está sem recursos para chegar nos cultos semanais ou para comprar um remédio essencial.)

Paulo (Ef 6.1-3) combina os dois elementos de obedecer e honrar e resume a segunda metade deste quinto mandamento (para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra). Ele ressalta que é o primeiro mandamento com promessa. Para dizer a verdade, aquele é o único, do decálogo, que vem acompanhado de uma promessa. Não é interessante? Deus conhece muito bem os seres humanos que criou. Assim ele sabe do anseio de cada um para ter uma vida longa e significativa. Ele poderia apenas exigir o respeito aos pais. Mas não. Ele nos incentiva e encoraja, prometendo as duas coisas pelas quais mais ansiamos—a felicidade e a longevidade—se tratarmos bem nossos pais.

Professor: A promessa de felicidade e longevidade não é um resultado mágico. É consequencia de uma série contínua de atitudes e ações que terão repercussões tanto para nós quanto para aqueles que nos cercam. A maneira pela qual tratamos os nossos pais (e parentes) reflete o estado da nossa alma e demonstra quanto somos (ou não somos) egoistas. Nos Dez Mandamentos o nosso foco é dirigido para fora de nós mesmos. Eles compreendem duas partes. A primeira (1 a 4) fala de como demonstrar o nosso amor por Deus e a segunda (5 a 10) nos instrui sobre como manifestar o nosso amor para com os nossos semelhantes. Jesus fez este resumo—Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mc 12.31) citando Lv 19.18. Lembramo-nos sempre que o honrar aos nossos pais encabeça a lista de deveres nesta área.

II. VOCÊ CUIDOU DE MIM. AGORA É A MINHA VEZ DE RETRIBUIR.
As igrejas primitivas estavam com um problema. Havia um grande número de viúvas necessitadas (1 Timóteo 5.3-16). Não se tratava, provavelmente, de providenciar apenas a cesta básica que nossos diáconos estão acostumados a distribuir, mas de prover o seu inteiro sustento. Paulo tratou do assunto na sua carta ao jovem pastor Timóteo e, ao fazer isto, tocou numa questão mais ampla — quais os princípios básicos que devem reger o relacionamento dos crentes com seus progenitores (pais e avós na NVI)?

A ordem é clara. Como filhos e netos (4), que professam ser crentes, devemos zelar pelo bem-estar dos nossos pais e avós, especialmente quando estes estiverem passando por necessidades. Paulo acrescenta o motivo lógico. Ensina que precisamos aprender a recompensar os nossos progenitores (4). Devemos nos lembrar da dedicação, sacrifício, tempo e dinheiro que estes investiram em nós e mostrar a nossa gratidão fazendo todo o esforço para que não passem necessidades. A ordem, de certa forma, é até mais abrangente—quando Paulo manda cuidar dos seus e especialmente dos de sua própria casa, ele indica que quem deixar um parente ou dependente desamparado está dando mau testemunho (8). Temos que ser irrepreensíveis nessa área (7). Aqueles que nos cercam podem verificar a qualidade da nossa fé pela maneira em que cuidamos destes. O problema é tão grave que ele declara que quem não zelar nesta área tem negado a fé, e é pior do que o descrente (8). Ele conclui que a igreja só deve ser chamada para cuidar das carências dos necessitados quando estes não tiverem parentes (16).

Professor: Aqui, estabelecemos que a responsabilidade de cuidar dos idosos pertence, em primeiro lugar, aos seus filhos, descendentes e parentes. É muitíssimo importante que esta seja assumida e cumprida. Mais adiante falaremos dos problemas que podem surgir para aqueles que levam este compromisso a sério e também do papel da igreja em si. Leia a passagem de 1 Timóteo com os alunos, enfatizando as afirmações dos versículos 4, 7, 8 e 16. Procure não gastar tempo tratando das perguntas que possivelmente surgirão sobre as viúvas, voltando logo a atenção ao assunto da lição.

III. DESAFIOS PARA A TERCEIRA IDADE NO SÉCULO XXI.
A. FAMÍLIAS FRAGMENTADAS. QUEM É MESMO O MEU “PAI”?
Provavelmente sem ainda perceber as conseqüências, as pessoas da geração do início do Século 21 estão adotando uma série de atitudes e comportamentos que certamente as prejudicarão quando idosas. O número de famílias “tradicionais” hoje em dia está diminuindo rapidamente, e a tendência é de ficarem mais e mais desestruturadas. Com o crescente repúdio ao compromisso matrimonial, já existem adultos que além de pai e mãe biológicos e os costumeiros dois pares de avós, também têm padrasto, madrasta e podem até ter avós cultivando um segundo ou terceiro relacionamento. E esta situação é multiplicada por dois quando estamos falando de um casal! Deverão cuidar do pai biológico ou/e daquele homem (possivelmente um de uma série de “maridos”) que mais cuidou deles? Se incluirmos o conceito de recompensar (1 Timóteo 5.4) como motivação na ordem de cuidar dos seus “pais”, qual deverá ser sua obrigação para com o pai que abandonou a família? O “avô” que deve receber sua atenção é o senhor que atualmente mora com a avó ou aquele que gerou a sua mãe? Ou ambos? Em que proporção? E se ele insistir num estilo de vida irregular? São perguntas muito sérias que têm que ser respondidas pelos filhos de Deus no contexto de outros princípios bíblicos, já que a Bíblia não trata especificamente delas (como João 13.34-35; 15.12-13; Gálatas 6.2,10 ; Mateus 25.44-45; 1 João 3.16-18).

Professor: Ao comentar se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da sua própria casa (1 Tm 5.8), Hendriksen pergunta se isto inclui também amigos, ou somente parentes. E ele responde—Sem dúvida, aqui a indefinição é uma virtude. Cada caso deve ser julgado por seus próprios méritos, segundo a necessidade existente a a capacidade de prestar assistência. Mas João 13.34; 15.12; Gálatas 6.2 são sempre aplicáveis.
Quando Hendriksen publicou seu comentário sobre 1 Timóteo, em 1957, quase não existiam divórcios. O abandono do lar era algo raro. Ainda assim, podemos pegar as referências bíblicas e aplicá-las (e as outras citadas na lição) aos relacionamentos conturbados que nos cercam—sejam eles impostos por outros ou criados por nós mesmos.
Familiarize-se com estas passagens para discutí-las na classe. (Por exemplo — Gálatas 6.10 diz que devemos fazer o bem principalmente aos da família da fé—portanto já indica uma maneira de estabelecer prioridades. Mas Paulo, ao mesmo tempo, manda aproveitar as oportunidades para fazer o bem a todos. A ajuda a “quem realmente não merece” pode ser uma maneira de evangelizar). Lembre-se de que “cada caso é um caso” e que devemos evitar legislar em áreas em que a Bíblia não fala claramente. Cada um dos alunos é responsável diante de Deus para examinar todas as facetas da sua própria situação, em oração, enquanto procurar honrar a Deus nas suas atitudes e ações.

B. FAMÍLIAS PEQUENAS E ESPALHADAS. RESPONSABILIDADE AUMENTADA! A maioria dos idosos atuais ainda pode recorrer ao apoio de três filhos ou mais e, provavelmente, fez parte de uma grande prole. Esses procuram o amor e a paciência entre um grande número de filhos, irmãos e primos realmente ligados a eles por laços de sangue. Mas, hoje em dia, por razões que consideram plausíveis, os casais estão lançando mão dos modernos métodos de controle de natalidade e limitando o número de seus filhos a um ou dois. A próxima geração, então, com menos irmãos, primos e filhos, vai contar com o apoio de muito menos pessoas. Com certeza, a carga dos familiares (e da igreja) vai aumentar.

Ao mesmo tempo, com o crescente hábito da mãe se ausentar para trabalhar enquanto seus filhos são pequenos, os laços familiares tendem a ficar menos estreitos e os pais estão tendo menos oportunidades para exemplificar e incutir os necessários ensinamentos e atitudes espirituais que levarão seus filhos a um compromisso sério com o Deus dos seus pais que os exorta a cuidar dos mesmos e a respeitar todos os idosos (Deuteronômio 6.6-9; Juízes 2.10-12; 1 Timóteo 5.4; Levítico 19.32).

Outra dificuldade no cuidar dos pais e avós surge por causa das distâncias. Com o êxodo das pessoas das áreas e cidades rurais para os grandes centros urbanos, as famílias estão ficando muito mais espalhadas (ainda estando dentro da mesma cidade). Como consequência, as pessoas, especialmente os idosos, podem acabar num terrível isolamento que, até pouco, era inconcebível. Para muitos, foi-se a interação quase diária com irmãos e cunhados, primos, filhos, netos e sobrinhos, a quem amavam e serviam enquanto também eram amados e servidos, apesar dos defeitos e rabugices. Isto sem falar nos amigos e vizinhos de longa data, com quem havia uma convivência confortável com menos constrangimentos e temores. O resultado é um grande número de pessoas solitárias e praticamente desamparadas, ainda quando dispoem de recursos financeiros.

Professor: Seus alunos, com certeza, conhecem alguém que esteja nestas circunstâncias. Use a experiência deles ou a própria como ponto de partida para discutir as avaliações e soluções que se seguem.

IV. LIDANDO COM AS CARÊNCIAS—COMO INDIVÍDUOS.
O que pode ser feito? Uma vez estabelecido o nosso dever, temos que re-examinar como estamos cumprindo com ele. Como andam os nossos pais e avós? Temos tios desamparados? Existem necessidades financeiras? Estamos gastando com luxos enquanto eles têm de economizar? O cuidar deles faz parte do nosso orçamento e das nossas programações? Os nossos filhos sabem disso e são encorajados a participar?

Se temos irmãos, como está sendo a divisão da carga? É um esforço harmonioso e amoroso, cujo peso vai quase despercebido pelos nossos pais? Estamos resmungando, criticando e competindo, ou estamos complementando e completando um ao outro? Existem rancores da parte deles, ou da nossa, com respeito à participação dos outros membros? Aquilo já foi falado à luz das Escrituras? (Mateus 5.23,24 se o nosso irmão estiver irritado conosco; Mateus 18.15-17 se o comportamento do nosso irmão nos ofende.)

Às vezes, não é dinheiro que lhes falta mas carinho, atenção, companhia ou propósito de vida. Sabemos que uma pessoa solitária pode tornar-se excessivamente exigente. Mas já paramos para pensar se nós mesmos conseguiriamos dar grande valor a um telefonema de 15 minutos num dia que tem 1440 para preencher. Nós, muitas vezes, suspiramos contentes porque fizemos “o nosso dever” e então corremos às nossas outras atividades. Enquanto isto, o nosso idoso volta sua vista cansada à sua leitura ou TV e espera o dia terminar para depois adentrar uma noite de interminável insônia. Vamos ser criativos, ajudando e incentivando-os a preencher o vazio ou a carência, qualquer que seja. Vamos procurar, também, na medida do possível, compartilhar com eles o que Deus está fazendo em nossa vida, como o estamos servindo e o que estamos aprendendo. Estas conversas, de coração para coração, podem dar-lhes grande alegria (Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade—3 João 1.4). Bem possivelmente, redundará em bênçãos para nós também porque estamos dando a eles oportunidades de compartilhar da sua rica experiência de vida.

Outras vezes, três gerações moram juntos ou lado a lado. Se forem seguidas as diretrizes bíblicas, esta situação pode se aproximar do ideal. Mas devemos verificar se não estamos explorando os nossos pais idosos, esperando que estes cuidem dos nossos afazeres, filhos e netos enquanto trabalhamos, viajamos, nos divertimos… O “nosso” idoso está abrindo mão dos sonhos e perdendo oportunidades de lazer e ministério por nossa causa? Estamos reforçando a sua autoridade quando deixamos nossos filhos sob seus cuidados? As gerações que coabitam vivem em constante atrito ou cada uma procura respeitar a outra?

Pode ser, também, que os pais estejam interferindo na vida do seu filho adulto, contrariando a ordem que existe desde o início da humanidade, que este deve deixar pai e mãe e formar uma nova unidade com a sua esposa (Genesis 2.24). Quem está morando na casa de quem? Aquilo foi devidamente conversado? Eles cederam voluntariamente o comando do lar ou pensamos que eles nos devem isto pelo sustento que lhes damos agora? Já pagamos a conta da nossa gratidão?!

E aqueles de nós que nos encontramos distantes dos nossos idosos? Podemos, de algum modo, aliviar a carga daquelas pessoas que estão lá, literalmente dando o apoio em nosso lugar? Mostramos a elas a nossa gratidão? Tem mesmo alguém lá? Estamos nos esforçando para preencher o vazio, acompanhando o seu dia-a-dia, telefonando ou escrevendo, compartilhando e ouvindo? Estamos enviando fotos, boletins escolares, presentes…? Colocando os filhos para conversar e escutar? Programando visitas? Uma boa pergunta de fazer a nós mesmos é como os vizinhos e irmãos da igreja deles avaliam a nossa participação. Eles consideram os nossos idosos pessoas desamparadas? Têm dó deles? Estamos realmente dando um bom testemunho nesta área? (1 Timóteo 5.8).

Professor: Há “muito pano para manga” aqui. Sugerimos a leitura do Ponto IV na classe. Depois peça a participação dos alunos, solicitando comentários e outras sugestões para melhorar a vida dos parentes idosos. Enfatize a importância da auto-análise para avaliar o próprio desempenho. Procure encaminhar a conversa, para que o enfoque fique no desempenho dos próprios alunos nas áreas que lhes competem e não deixe que a discussão fique centralizada em problemas trazidos por idosos (ou outros) a respeito de pessoas que não estão presentes para se defender.
Em seguida, leia novamente 1 Timóteo 5.4—Mas, se alguma viúva tem filhos, ou netos, aprendam, primeiro, a exercer piedade para com a sua própria casa, e a recompensar os seus progenitores, pois isto é agradável a Deus. Destaque que isto, muitas vezes, não é algo que surge naturalmente. Entretanto, pode (e deve) ser aprendido, pois é assim que agradamos não só aos nossos parentes idosos mas, mais ainda, ao nosso Pai celestial.

V. LIDANDO COM AS CARÊNCIAS—COMO IGREJA.
Será que já paramos para pensar nas implicações da declaração de Davi que Deus faz que o solitário more em família (Salmo 68.6)? Esta promessa para o solitário traz embutido uma responsibilidade para todos os filhos de Deus. Quando Deus é o Pai do solitário, nós da sua igreja somos os seus irmãos e, como tais, devemos demonstrar o amor fraternal, sendo fraternalmente amigos, associando a prática da fraternidade à nossa (Romanos 12.10; 1 Pedro 3:8; 2 Pedro 1.7).

Observamos que algumas igrejas maiores estão sendo despertadas a indicar pastores para cuidar, exclusivamente, desta faixa etária. Mas isto nem sempre é possível. Entretanto, a liderança da igreja pode e deve trabalhar em conjunto para zelar pelos idosos sob os seus cuidados. Já vimos que a igreja deve se incumbir daqueles que não tem parentes e providenciar por suas necessidades materiais (1 Timóteo 5.16). Isto envolve, obviamente, os diáconos (Atos 6) mas também os irmãos da sua igreja. Escrevendo para os irmãos que formam a igreja, o apóstolo João pergunta—aquele que possuir recursos deste mundo e vir a seu irmão padecer necessidade e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? (1 João 3.13,17).

A tarefa começa pelo pastor. Tanto o Pastor Timóteo quanto o Pastor Tito receberam instruções de Paulo sobre como lidar com os homens idosos e as mulheres idosas, dentro do contexto de como cuidar das suas igrejas. O pastor tem de exortar os idosos como a pai e mãe, em vez de os repreender (1 Timóteo 5.1-2). É ele que tem de exigir o mesmo respeito dos membros, lembrá-los da sua responsabilidade para com seus parentes, alertá-los sobre sua condição perniciosa quando não assumem isto, e instruir a igreja a socorrer os verdadeiramente necessitados (1 Timóteo 5.3-16). Também é ele que vai zelar pela sua saúde espiritual, para que na velhice ainda dêem frutos (Salmo 92.14) e depois requerer deles (homens e mulheres) que sejam exemplares na vida cristã e que instruam os mais jovens (Tito 2.1-5).

Nas nossas igrejas, os presbíteros, diáconos e departamentos, conforme seus dons e atribuições, devem trabalhar em conjunto com o pastor para preencher as necessidades dos idosos. Muitas vezes, os próprios idosos também contribuem de maneira valiosa — pois são eles que entendem e enxergam melhor as qualidades e as necessidades daqueles que fazem parte da “geração de ouro”. Todos, ao fazerem isto, procuram ir muito além das necessidades físicas e materiais, visando também o seu crescimento espiritual, o lazer e o convívio fraternal, e a valorização e aproveitamento da sabedoria acumulada por eles em diversos ministérios. Algumas denominações têm uma secretaria dirigida especificamente a este setor que promove eventos onde as pessoas se encontram tanto para confraternizar quanto para discutir planos para melhorar este ministério. Portanto, quando os esforços de uma igreja são bem-sucedidos, ela deverá compartilhá-los com outras. Ao mesmo tempo, aqueles que Deus chama para trabalharem nesta área, devem pesquisar e copiar a criatividade e iniciativas de outras igrejas e comunidades.

Neste contexto, devemos nos lembrar também dos familiares que procuram ser fiéis no cuidado dos seus idosos. Somos, frequentemente, muito mais prontos para socorrer os parentes de alguém repentinamente adoentado (revezando com eles no hospital, telefonando, ajudando com transporte ou alimentação…) do que para aliviar as necessidades daqueles que cuidam de alguém cronicamente debilitado—especialmente com doenças como o Mal de Alzheimer e outras formas de senilidade ou imobilidade que exigem atenção constante, dia e noite, durante semanas, meses, anos…. O apóstolo João insiste que devemos dar nossa vida pelos irmãos porque Cristo deu a dele por nós (1 João 3.16).

Professor: Avalie com a classe como a sua igreja está promovendo o bem-estar dos seus membros idosos. Peça sugestões sobre maneiras em que os departamentos (E.D., SAF, UPH e outros), o conselho, os diáconos e eles mesmos poderiam desenvolver oportunidades e demonstrar mais respeito e carinho (melhorar o acesso, transferir uma classe para o andar térreo, providenciar transporte para eventos ou ministérios, promover visitas, programas que fazem questão de incluir os idosos…)

CONCLUSÃO
Vivemos numa sociedade que criou uma série de medidas preventivas para evitar o desamparo quando não pudermos mais trabalhar. Existem aposentadorias, previdência social, convênios médicos e hospitalares, pensões, … Isso é bom. Ainda assim, grande parte da nossa população não tem acesso a estes benefícios e até aqueles que procuram se prevenir, muitas vezes descobrem que a expectativa e a realidade não coincidem. Os valores vão minguando enquanto o custo de vida aumenta. Portanto, como cristãos, temos que estar bem dispostos para incluir os nossos idosos (e necessitados) no orçamento. Isto pode significar sacrifício e aperto para todos da família, mas é a nossa obrigação proporcionar-lhes uma vida tão digna quanto a nossa, pelo menos. Isto também vale para os nossos irmãos idosos da igreja, especialmente para aqueles que não têm parentes para os ajudar e apoiar.

Deverá haver um esforço unido para preencher as necessidades dos idosos, sejam materiais, físicas, emocionais ou espirituais. Ao mesmo tempo, devemos ensinar os nossos filhos, pela nossa atitude e exemplo, a honrar os seus “cabelos brancos”, procurando aproveitar a sua experiência de vida e a sabedoria acumulada no seu andar com Deus (Tito 2.1-5).

Cada um de nós (inclusive os da terceira idade), individualmente, pode promover grande alegria com gestos muito simples (mandando um cartão ou telefonando num aniversário, cuidadosamente observando gostos e desejos e dando um presentinho personalizado no Natal, convidando para almoçar ou jantar, garantindo uma carona para alguma programação…) São tantas as oportunidades! E tantas as bênçãos!

Elizabeth Zekveld Portela
O Século 21. Confrontando o Paganismo.
Questões Éticas e Morais de Nossos Dias
Cultura Cristã. Lição 11. 2º Trimestre 2004

PARA O REVISTA DO PROFESSOR
APLICAÇÃO INDIVIDUAL

Como está a medida sacrificial do nosso amor fraternal? E, muito mais, do nosso amor filial? Avaliemos já, se estamos procurando um irrepreensível testemunho nesta área ou se as nossas ações estão negando a fé que proclamamos, como indivíduos e como igreja (1 Tm 5.7,8).

APLICAÇÃO PARA O GRUPO
Peça a cada aluno para curvar a cabeça e fazer uma oração silenciosa pedindo a orientação divina a respeito de maneiras em que possa melhorar o relacionamento com os idosos na sua família e na sua igreja. Ore em seguida, rogando o perdão de Deus pelas falhas e negligências dos membros do grupo, e solicitando para que o Espírito Santo possa restaurar relacionamentos e usá-los em maneiras maravilhosas para melhorar a qualidade de vida de cada um dos idosos citados nas orações individuais.

Aponte, de ante-mão, duas pessoas para prepararem papeizinhos com os nomes dos idosos da igreja, com seus endereços e telefones. (Escolha os mais solitários, se houver muitos.) No próximo domingo, cada aluno deve tirar um nome e encontrar algum modo de ser uma bênção na vida daquela pessoa durante a semana seguinte—pelo menos com um cartão/bilhete ou um telefonema.

LEITURAS BÍBLICAS
Texto básico: I Timóteo 5.1-16

Provérbios 20.29; 16:31; Levítico 19.32; Tito 2.1-5 Valorizando os “cabelos brancos”
Deuteronômio 5.16; Efésios 6.1,2 O quinto mandamento—Honra a teu pai e a tua mãe
Marcos 7.9-13; 1 Timóteo 5.3-16 As implicações do quinto mandamento
Salmo l 68.6; 1 Timóteo 5.1,2,16 Pastor e igreja cuidando dos membros idosos
Galátas 6.2, 10; João 13.34-35 O bem a “todos”—principalmente aos da “família da fé”
1 João 3.16-18; Mateus 25.44-45 Fechando o coração ao “irmão” (idoso) necessitado
Romanos 12.10; 1 Pedro 3:8; 2 Pedro 1.7 Os benefícios do “amor fraternal”—para o idoso também

LEITURA ADICIONAL
1. Mulheres ajudando Mulheres; Elyse Fitzpatrick e Carol Cornish (R.J: CPAD, 2001)
2. 1Timóteo, 2 Timóteo e Tito; William Hendriksen (S.P.: Cultura Cristã, 2001)
3. Marcos; William Hendriksen (S.P: Cultura Cristã, 2003)
4. Fui Moço, Agora Sou Velho… E Daí?; KM Lenz César (Viçosa, MG: Editora Ultimato)

Objetivo: Ao terminar esta lição o aluno deverá ter reexaminado a sua atitude individual para com os idosos de sua família e, como membro da igreja de Cristo, procurar oportunidades de ministrar aos idosos da igreja. O aluno deve saber que Deus quer que nós, como indivíduos e como igreja, honremos e cuidemos dos nossos pais, parentes e irmãos na fé que se encontram na Terceira Idade, custe o que custar, suprindo as suas carências e valorizando a sua experiência de vida.

A lição em uma frase: A Bíblia mostra que a nossa responsabilidade para com os idosos vai além do cuidado com as necessidades materiais e se estende além do relacionamento filial; a igreja tem muitas oportunidades de serviço nesta área.

Por que você deve dar esta lição: A família contemporânea está se afastando com muita rapidez dos princípios encontrados na Palavra de Deus e vivencia problemas, no trato aos idosos, que raramente são abordados.

Panorama Bíblico: 1 Timóteo 5.1-16. O ensino sobre como tratar e cuidar de idosos está inserido numa passagem que focaliza nas viúvas que se encontravam nas igrejas centradas em Éfeso, na Ásia Menor. Antes de entrar no assunto, Paulo ensina a Timóteo como ele deve lidar com as pessoas na igreja. Ele não chega a usar a palavra “família”, mas reforça bastante este conceito quando manda exortar os idosos como a pai e mãe e os moços e moças como a irmão e irmã. É dentro deste contexto dos membros da igreja, como uma amorosa família, que ele dá as suas instruções.

Apesar de ser um assunto bastante interessante, o objetivo da sua lição não deve ser explicar os conceitos aqui apresentados sobre as viúvas. A passagem foi escolhida pelas suas referências mais amplas aos progenitores (plural—pai e mãe) (4) e a alguém que não tem cuidado dos seus e especialmente dos da sua própria casa (8).

O que precisamos entender é que, ao lidar com as situações específicas que surgiam nas diversas igrejas, os apóstolos procuravam ensinar como identificar e aplicar princípios. O princípio aqui é que a família evangélica da igreja tem como modelo uma família na qual reina o amor. Todos nela são filhos de Deus e irmãos dos seus outros filhos, com a obrigação de desenvolver o seu relacionamento fraternal (1 João 3.1,10; Romanos 12.10). Mas não podemos nunca perder de vista que Deus coloca os laços sanguíneos como o modelo dos nossos vínculos espirituais e não vice-versa (até dos dele conosco—como um pai…, assim o Senhor… Salmo 103.13). Portanto, o desamparo ou abandono dos nossos próprios familiares deve ser algo impensável para o cristão de verdade e a nossa responsabilidade para com estes deve preceder qualquer outro relacionamento dentro ou fora da igreja. Qualquer pessoa negligente nesta área (um pecado de omissão) está negando a sua fé e é pior do que o descrente. Deus quer que sejamos irrepreensíveis nisto (1 Timóteo 5.7,8). Se permitirmos que o mundo tenha motivos para nos criticar nesta área, estaremos trabalhando contra o desejo expresso por Jesus na sua oração sacerdotal, que os descrentes reconheçam quem Ele é porque estamos manifestando amor e união em todas as áreas da nossa vida (João 17.22,23).

7 Comentários a “Lidando com a “Terceira Idade””

  1. Gostaria de ter autorização para publicar em nosso site

  2. margarete disse:

    Achei importante esse artigo e gostaria de receber mail dele

  3. margarete disse:

    me mande esse artigo por favor

  4. Gaspar Moreira disse:

    Excelente estudo sobre a terceira Idade.

    como receber por e-mal?

  5. Elisangela disse:

    Este artigo, veio em minhas mãos em um momento bem oportuno da minha vida, meu ex marido me pediu pra fazer a escolha, ele… ou minha mãe de 70 anos, que nos ajudou a comprar e construir nossa casa, com a promessa de que cuidariamos dela qoando fosse a hora, escolhi ela, e não me arrependo…. na verdade isso não é questão de escolha, e sim de amor…. se ele me amasse, não me colocaria nessa posição.

  6. Jalda Dias disse:

    Essa matéria veio me fortalecer em um projeto que pretendo iniciar no de 2018

Deixe o seu comentário

Crônicas do Cotidiano > Lidando com a “Terceira Idade”