Pós-Cirurgia de Tireóide (10)

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IODOTERAPIA RADIOATIVA (2)

Recebi um comentário no meu post número 8, no qual uma leitora relata a sua experiência com a iodoterapia, tratamento com iodo radioativo que é feito quando o câncer de tireoide é diagnosticado. A Ana Kelly escreve muito bem e soube descrever o tratamento tanto do aspecto pessoal quanto do aspecto médico, de maneira sensível e interessante e, ao mesmo tempo, precisa.

Foto proveniente de http://thyroid.about.com/b/2007/11/19/radioactive-iodine-rai-treatment-for-thyroid-disease-is-secondhand-exposure-safe.htm

Também adicionei seu comentário ao post número 9, pois é este que fala especificamente do assunto. Mas receio que sua contribuição é valiosa demais para ficar “perdida” no fim de uma série de comentários (apesar de eu ficar impressionada com a quantidade de pessoas que me escrevem, demonstrando que leram tudo, tudo, tudo…!).

Além disso, existem outras implicações pós-tratamento que devem ser percebidas. Por exemplo, viagens internacionais podem ser complicadas por algum tempo depois. Quando enviei uma cópia das últimas correspondências para meu marido (em viagem para os Estados Unidos), ele respondeu o seguinte: Um dos meus companheiros de viagem comentou que fez este tratamento. Algum tempo depois, viajou para os EEUU. No aeroporto aqui,  alarmes e sirenes começaram a disparar quando ele passou pela segurança. Eles o levaram, examinaram e interrogaram durante quase três horas até que um médico chegou para ouvir sua história. Enquanto isso, os passageiros do seu avião, especialmente aqueles que estavam sentados perto dele, foram também detidos e interrogados até que aceitaram a sua explicação sobre a radioatividade…. (E isto também pode ocorrer com qualquer exame em que isótopos radioativos forem usados).

Estou, portanto, fazendo um novo post, contendo não apenas o primeiro comentário, mas algumas correspondências anteriores e subsequentes que adicionam mais informações que podem ser valiosas para aqueles que se preparam para enfrentar o mesmo desafio (ou para aqueles que estarão dando apoio aos seus parentes ou amigos durante este período). Espero que sejam úteis e encorajadoras a todos!

Se você achar que tenha alguma informação ou reflexão para contribuir sobre este assunto, pode comentar. E, se quiser interagir com a Ana Kelly, enviarei seu comentário ao endereço dela…

Abs, Betty

P.S. Enquanto procurava por uma foto para colocar aqui, encontrei mais links que podem ajudar.

http://www.radioativos131.com.br/blog/

http://www.lightoflifefoundation.org/

A nossa correspondência começou com um comentário no post número quatro, em julho de 2009.

Ana Kelly Natali disse:
31 de julho de 2009 às 9:59 pm

Prezados, eu fiz a tireodectomia total no último dia 22/07/2009, no Hospital Oswaldo Cruz, cujo procedimento foi conduzido polo exímio Dr. Celso Friguglietti. Tomei anestesia geral e acho que acordei antes da hora e falando, com a voz normal, pois o Dr. Celso quando me viu logo disse, tenho certeza que seu nervo laringeo recorrente não foi atingido, já que vc pareceia uma tagarela no pós anestésico (rss). Bom, tive dor de cabeça, na nuca, depois comecei a me sentir meio estranha, meio tonta e com um poucoi de contração no músculo da coxa direita. Tive tosse, só porque não podia tossir e foi por causa do tubo, que inflama a traqueia. Coceira na cicatriz e no dreno, por causa do micropore, após o curativo sempre dói, mas tudo é suportável.

Pois, no dia 22/07, ao tirar o curativo, o Dr. Celso me disse que fui agraciada por Deus, já que minha endócrino tinha sugerido a cirurgia de um microcancer de 4mm, no lobo esquerdo, do tipo papilifero. Mas, na biopsia pos cirurgica, a tireoide fora fatiada e a patologista constatou pelo microscópio, mais 1 nódulo de 1mm, com celulas malignas para o tipo folicular e mais 4 nódulos, em formação com 1 e 2mm, cada, com variante papilifero e folicular. Agora, estou me preparando para a iodoterapia, mas me sinto vitoriosa e tenho certeza que estou curada, Pois, eu tenho 35 anos, sou bem casada há sete anos, tenho um bebeê lindo de 1 ano e 7 meses e sou uma profissional bem sucedida.

Neste momento, que sua vida parece ser colocada em uma balança, passei a dar valor a pequenas coisas da vida e agradeço a força e orações recebidas dos parentes e amigos, independente de religião ou crença. Pois, cada palavra amiga ou gesto é combustível para você seguir em frente e continuar a batalha.

Outra coisa, que eu sempre falava para minha mãe, me disseram que eu estou doente e que a unica forma de cura é a cirurgia, mas eu não me sinto doente e nem que estou com cancer. Este pensamento é importantissimo, para você manter a sua sanidade e a dar força e coragem para quem está ao seu lado, pois no meu caso, o diagnóstico foi um ’soco no estomago’ para o meu marido, pais e irmã. Tive que ser forte para encorajá-los e tive que ser forte para ver meu bebê de 1 ano e 7 meses crescer.

Beijos a todos e muita força neste momento. Eu sei que minha batalha está no meio, mas eu vou sair vitoriosa…

Ana Kelly Natali disse:
25 de fevereiro de 2010 às 11:02 pm

Olá Betty…
Estou de volta para contar o que aconteceu depois da tireoidectomia…
Quando voltei ao meu cirurgião, Dr. Celso Friguglietti, para avaliação do procedimento, ele me indicou o Dr. Tazima para conduzir a iodoterapia com aplicação do Thyrogen. Contatei o médico que me esclareceu como seria o tratamento com iodo radiotivo 131 e marcou o procedimento para o dia 04/10/2009.

Durante o mês de setembro fui obrigada a fazer uma dieta restritiva, para auxiliar na eficácia da radioterapia. Neste período não ingeri nada que contivesse iodo (sal comum de cozinha), fui obrigada a comprar um sal especial, nada que fosse industrializado, em conserva, frutos do mar, alimentos com corante vermelho, leite, derivados da soja incluindo o óleo, iogurte, queijos, pães de forma ou qualquer alimento feitos na padaria ou restaurante, biscoito, balas, chocolate. Em suma, na minha dieta só era permitido alimento natural, feito em casa; bem como frutas, incluindo as secas e cereais crus. Lembrando que a barrinha de cereal também estava proibida.

No quesito beleza, esta dieta me ajudou a perder quatro quilos; entretanto, fui impedida de pintar as unhas e usar maquiagem. O pior, como sou muito branca, meus lábios ressecam com muita facilidade, logo fui obrigada a improvisar, passava azeite de oliva para evitar as rachaduras e me proteger do sol. Outra coisa, nem pensar de pintar os cabelos ou passar perfume, lavar o cabelo com shampoo com sal e sabonetes, pois geralmente estes produtos têm iodo em sua composição. Portanto, antes de usar estes cosméticos deveria ler as especificações.

Fui espartana, segui as orietações mais do que a risca, pois quanto melhor fosse a minha dieta restritiva, melhor seria a absorção do iodo-131 pelo meu organismo, o que aumenta a chance de cura. A idéia é matar as células de tireoide pela fome, assim quando eu ingerisse o iodo, eles correriam ávidas para o almoço e fatalmente morreriam.

Feito isto, no dia 04 de outubro de 2009, me dirigi ao Hospital Oswaldo Cruz para tomar a 1ª dose do thyrogen; na segunda-feira, dia 05/10, tomei a 2ª dose e na terça-feira, dia 06/10 me internei em um quarto de isolamento.
O thyrogren induz de forma exógena o hipotiroidismo, ou seja, não é preciso parar de tomar a levotiroxina (t4 sintético – Synthroid ou puram); porque para o tratamento com o iodo ser eficaz é necessário que o TSH esteja muito alto.

Muito bem, na terça-feira de madrugada saí de casa com o coração partido, deixei meu filhinho pequeno com minha mãe, e fui com meu marido ao Hospital Oswaldo Cruz. Entrei no quarto de isolamento, às 7h e logo em seguida veio um técnico para tirar uma amostra do meu sangue. Após, meu marido foi embora, porque já iria começar o procedimento da radioterapia com o iodo.

O quarto é revestido com paredes grossas e biombos de chumbo. Possui câmera de monitoramento interno, me senti como uma participante do “big brother”… Todos os móveis e utensílios são revestidos com TNT ou plástico, porque a radiação é eliminada com o suor e esta é uma forma de minimizar os efeitos da contaminação.

Às 8h, veio ao quarto um físico nuclear, que mediu a distância de um metro entre um ponto, que eu deveria ficar e a outra referência que seria o profissional, que mediria a radiação emitida por mim.

Às 10h, o dr Tazima chegou com o iodo-131, que estava acondicionada em um envólucro de chumbo, chamado de castelinho, ele estava vestindo uma edumentária também de chumbo, óculos de proteção e luvas. Em seguida ele abriu o “castelinho” e me entregou… Eu deveria engolir aquela bolinha de 100 microcue de iodo-131, dose mediana, de uma só vez e com cuidado para não enroscar na traquéia; bem como, durante o dia deveria ingerir muito liquido, para facilitar a eliminação do elemento químico.Fui advertida, que o iodo causa dores de estômago, queimação na boca, náusea e vômito. Sem pensar, peguei o “castelinho” e engoli de uma vez a bolinha, sem água mesmo! Para minimizar os efeitos colaterais, eu deveria expremer o caldo do limão e tomar puro. Também me deram o omeprazol.

Graças a Deus não tive qualquer intercorrência, ou os efeitos colaterais noticiados, mas acho que nunca tomei tanta água na vida, como naquele dia. isto porque quanto mais rápido houvesse o decaimento exponencial da radiação, mais rápido eu sairia do hospital. Ainda bem, que o quarto tinha janela para o jardim da Rua João Julião, pois era possível ver e ouvir os pássaros.

Para passar o tempo, durante a minha estada no isolamento, li muitas revistas, as quais foram descartadas em lixo apropriado, pois ficaram radiotivas. Todos os utensílios de uso pessoal foram para o lixo radiotivo, assim como, os pratos e copos deveriam ser de plático para descarte.

Fiquei internada por 32h, tive alta na quarta-feira, às 14h. Meu marido foi me buscar, o banco do carro foi forrado com plástico para evitar contaminação. Voltei para casa e fiquei isolada por mais 20 dias.

No dia 08 de outubro, retornei ao Hospital para tirar outra amostra de sangue e fazer a Pesquisa de Corpo Inteiro (PCI), a fim de checar se o câncer tinha ficado apenas na tireóide ou se havia metástase. Recebi o laudo, no dia 23 de outubro e, mais uma vez, agradeço a Deus por tudo, o resultado foi melhor do que o esperado, a absorção do iodo foi 130% e não havia metástase; portanto, estava 100% curada. Durante esta fase, o que mais me doeu foi ficar longe do meu pequeno príncipe, pois a radioterapia é extremamente nociva à mulhes grávidas e a crianças até 18 anos.

Entretanto, graças a corrente de orações de todos os amigos e parentes fui forte para suportar a dor e o estresse… Tinha em mente como palavra de ordem: São 20 dias longe do meu filho para eu ter a vida inteira com ele! Durante o meu isolamento em casa, que eu apelidei carinhosamente de “reclusão”, fui resignada e refleti muito sobre minha vida, meus atos e sobre o que realmente é importante. Conclui que estresses bobos do dia a dia com familiares ou colegas de trabalho só nos tornam doentes e Deus não quer que isto aconteça com a gente. Ele me tirou a cruz que eu estava predestinada a carregar, antes mesmo da doença aparecer. A PCI é a prova disto!

Durante o tratamento, vi e senti o sofrimento dos doentes de câncer e Deus me impediu de passar por algo mais sério. O Dr. Celso mesmo me disse: “Com base no relatório anátomo-patológico, se fossemos cuidar de vc quando os sintomas fossem visiveis, não daria tempo para fazer qualquer tratamento…”

Esta chance que Deus me deu, eu não quero desperdiçar. E não vou desperdiçar! Vou aproveitar minha estada na Terra da melhor forma, junto daqueles que me deram apoio e força para suportar este evento.
Durante a reclusão, o avô do meu marido faleceu e eu fiquei muito triste de não poder apoiá-lo nesta fase, pois eu estava com nível radioativo muito alto e não pude nem ao menos abraça-lo. Ele ficou arrasado, pois o avô era como um pai…

Eu saí da reclusão no dia 27 de outubro e o meu bebê completou 2 aninhos no dia 1º/11/2009, resolvemos fazer um almoço para comemorar a minha saúde e o aniversário dele. Foi um momento bastante emocionante e inequecível…
Bem, em janeiro de 2010, voltei ao Dr. Celso para realização dos meus exames, pois devo fazer o monitoramento de 3 em 3 meses. E graças a Deus, ele me disse outra vez, que estava curada e o que aconteceu comigo no ano passado deveria ser esquecido. Que eu devo colocar um pedra em cima e segui a vida com alegria.

Confesso, que este período foi muito difícil, pois fica martelando na sua cabeça o tempo todo: você tem Câncer, câncer, câncer, câncer… Você perde o sono no meio da noite e pensa na vida,o que passou e se você terá futuro.

Para aqueles que foram surpreendidos com este golpe baixo, não se desesperem. Este tipo de câncer tem cura e a vida com o comprimidinho azul continua a mesma que era antes. Só um calorzinho e suorzinho, de vez em quando, mas tudo bem… Você suporta.

Betty, agradeço a vc a oportunidade de escrever no seu blog e contar um pouco desta experiência de vida, que me fez crescer como ser humano. Pois, acredito, que os depoimentos ajudarão outras pessoas, a exemplo do que aconteceu comigo.

Existe vida após a descoberta da doença e depois dela você passa a aproveitar melhor a vida. Pois, “o que se leva da vida é a vida que se leva.”
Beijos
Ana Kelly

Logo depois, chegou este comentário de uma outra leitora com nome de Mariana (que mandei para Ana Kelly)

28 de fevereiro de 2010 às 11:53 am

Betty, adorei o seu blog. parabéns por esta iniciativa.
Fui operada também e é câncer–maligno. As informações passadas pela Ana Kelly Natali foram muito esclarecedoras para minhas varias duvidas, e gostaria de aproveitar este espaço para saber se demora muito para conseguir o leito para este tratamento de IODORADIOPTERAPIA Vou ter uma consulta para saber se realizarei este tratamento no Hospital Santa Paula ou no Oswaldo Cruz. Sou bem ansiosa e por mim resolveria tudo hoje. hahaha aguardo informações.
Betty, novamente obrigada pelo seu espaço.

A Ana Kelly respondeu.

Betty, Fico feliz de poder ajudar, pois quando fui diagnosticada com câncer tive muitas dúvidas e o seu blog ajudou-me.

Mariana, Com relação ao tempo de espera para realização do procedimento, demorou cerca de 2 meses para conseguir a vaga, pois no Hospital Osvaldo Cruz, existem poucos quartos preparados, os quais estão localizados  no prédio velho, cuja construção das paredes é bem reforçada. Pois fiz a cirurgia dia 22 de julho e a internação para radioterapia ocorreu no dia 06/10/2009.

Agora,  eu não conheço o Hospital Santa Paula, mas eu indico o Oswaldo Cruz, o pessoal técnico é bastante competente e de acordo com as informações que obtive dos especialistas médicos, o HAOC tem equipamentos de última geração e o trato com o paciente é humanizado. O que é importante, pois nesta fase estamos muito fragilizadas.
Beijos à todas e, no que eu puder ajudar fico à disposição.
Ana Kelly

Eu escrevi para Ana Kelly ontem à noite, 28 de fevereiro de 2010:

Querida Ana Kelly:
Aprecio muito a sua contribuição, completando numa área em que não tive experiência. Como vê pela carta que já lhe encaminhei, creio que muitas pessoas saberão melhor o que lhes esperará, através do seu relato, muito bem elaborado e completo. Ajuda ter alguma noção do tamanho e extensão das dificuldades que temos que enfrentar–a incerteza é algo muito incômodo e assustador. Também é bom porque o relato tem elementos de esperança. Estou pensando em talvez fazer um post exclusivo com a sua carta, porque ela fica meio “perdida” no fim do texto e muitos não vão chegar até ela. Já a coloquei no fim do post 9 também, pois este fala especificamente do assunto. Se eu tiver alguma informação incorreta lá, pode me corrigir.

Fiquei com algumas perguntas. Eu não havia percebido a extensão da limitação em termos de objetos para levar dentro do quartinho. Quando pensei que este também seria meu destino, me imaginava lá dentro com meu computador, celular, livros favoritos, som… Eles não inventaram ainda um jeito de se ver TV ou DVDs através de um vidro?  E música, colocam para tocar? A sua escolha? Levou um celular “descartável”?

Finalmente–o que é o “comprimidinho azul”? É o hormônio?–no meu caso é um comprimido amarelo–Synthroid 100. Ou é outra coisa?

Que Deus a abençoe, dando muitas oportunidades de conhece-lo como Ele quer ser conhecido, e de servi-lo como Ele quer ser servido.
Abs, Betty

E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.  Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. — Evangelho de Mateus, capítulo 22, versículos 35-37.
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Evangelho de João, capítulo 14, versículo 6.

Segue a resposta de Ana Kelly

01 de março de 2010

Betty,
No quarto de isolamento só tem uma TV com controle e um telefone sem fio, ambos recobertos com plástico, o chão e os móveis são revestidos por um material sintético denominado TNT, o peitoril das janelas, maçanetas e puxadores são enrolados com filme plástico. A enfermagem entrega os alimentos e medicação em bandejas de papelão e os pratos e os talheres são de plástico. Este procedimento também foi respeitado pela minha família durante os 20 dias de “reclusão”.

No hospital, quando algum profissional precisa entrar no quarto, interfona para  o paciente, que tem que se deitar na cama que fica atrás de uns biombos de chumbo. Não pode haver contato nenhum com qualquer pessoa ou animal, enquanto você está radioativa, que eu também apelidei de “período de cintilância”. Fiz tudo o que pude para melhorar a situação, pois se tenho que enfrentar devo fazer de cabeça erguida. Meu médico também me disse, que psicologicamente eu também fui forte para conduzir a situação, criei formas para minorar o meu estresse e ajudar minha família que também ficou fragilizada…

Enquanto a roupas e objetos de uso pessoal, tive que levar apenas roupas leves que poderiam ser descartadas no lixo do hospital ou para reutilização eu mesma deveria lavar e um ciclo de máquina seria suficiente para descontaminação. Todavia, outra pessoa deveria colocá-la no varal. Ou, se preferisse poderia deixar separada, durante o mesmo período de isolamento. Assim, se fiquei 20 dias todos os objetos deveriam ficar isolados 20 dias, a contar do término do meu isolamento. No meu caso eu fiz a última opção, pois como tenho um bebê fiquei  com receio de contaminar a máquina de lavar.

Não levei nada para o quarto de isolamento e utilizei as necessaires de cuidados pessoais fornecidas pelo Hospital, as quais foram descartadas na minha saída. Caso eu vomitasse, a orientação e que eu mesma deveria limpar os dejetos e só após solicitar a ajuda de um profissional. As idas ao banheiro, deveriam ser cuidadosas, não poderia haver qualquer respingo no chão ou tampa da privada. Após, deveria das 5  longas descargas, e lavar as minhas maõs com um sabonete descontaminante e depois com outro normal.

Levei apenas revistas e objetos que pudessem ser jogados fora. Para os retornos ao hospital, fui orientada de que deveria usar luvas de plástico e revestir o carro com plástico, deveria ir sozinha para evitar que meus parentes fossem expostos a radiação desnecessária. Pois, durante a dieta do iodo, todas as pessoas que poderão ter contato comigo devem ingerir os alimentos utilizando o sal sem iodo, para que  a radiação eventual e esporádica não seja nociva a eles. Durante o período de isolamento em casa, fiquei em uma área pouco usada de minha casa,  meus parentes me entregavam os alimentos e eu ficava escondida para não expô-los.

Com relação ao comprimidinho azul que citei, esta me referindo ao Synthroid®, acho que ele deve mudar de cor de a acordo com a dosagem, pois o meu é o 150mg. Esta dosagem está um pouco alta, mas é necessário para manter-me com o TSH baixo, para evitar reincidência do câncer.

Se você quiser colocar esta parte como aditamento ao meu relato, fique a vontade. E, como lhe disse, fico à disposição para outros esclarecimentos, pois nesta fase ficamos cheios de caraminholas e a consulta com o médico é curta para tirar todas as nossas dúvidas… E como boa cristã, quero deixar o meu testemunho de fé e de certeza que o Pai não desampara seus filhos.
Bjs, Ana Kelly Natali

403 Comentários a “Pós-Cirurgia de Tireóide (10)”

  1. ivani batista de souza disse:

    Eu também passei por esse problemas em maio/2009 fiz a cirurgia da retira da tiroide com a informação que sera uma suspeita de câncer.
    No Hospital da Clinicas de SP, tive o a confirmação de câncer um mês depois, era nódulos eram pequenos, mas devido a minha idade os médicos acharam melhor fazer PCI-131 e radioterapia.
    Por ser um hospital publico, houve uma certa demora, pois a radioterapia eu a fiz em dezembro/2009, porem o que foi bom que fiz na minha casa pois o Hospital da Clinicas estava criando um protocolo onde os pacientes com câncer na tireoide que morassem a pouco mesmo de 50 km do hospital e tivessem condições de se isolar na sua casa, poderia participar desse programa.
    Minha família autorizou, foi bom pois não tinha condições de fazer particular e tinha na época 53 anos.
    Meus filhos criando não haveria problema.
    Correu tudo bem, o difícil foi retornar ao Hospital no dia 23/12/2009 e fazer novo exame para saber se não restaram mais células no meu corpo, Era final de ano, o hospital vazio, não parecia um dia normal aquela cidade de médicos e pacientes tinham desaparecido. Mas quem vive esta situação vai até o fim.
    Hoje tem 5 anos e estou aqui, para contar minha historia.
    Sei que tenho que cuidar pois a tiroide é uma glândula muito importante para o nosso corpo terei que tornar hormônio para o resto da vida, mas estou feliz apesar das dificuldades.
    Agradeço a todos que me ajudaram, os médicos do HC.
    Há muito pacientes, mas ele fazem todo o possível para salvar nossas vidas.
    Todos que oraram pela minha recuperar.
    Sei que terei hipotiroidismo e tenho que controlar os meus hormônios.
    Mas saibam ter câncer na tiroide é curável, é crê, acreditar e buscar no fundo do seu coração que vale apena viver.
    Beijos se precisar de ajuda só procurar

  2. betty disse:

    Olá, Roberta. Os sintomas que você estava sentindo quando escreveu são “normais”. Espero que alguém passou cálcio para você tomar para ajudar com os formigamentos. Torço para que o período entre a cirurgia e o teste não seja comprido. Pelo que tenho visto, se tiver que demorar muito e se tiver convênio médico, existe um remédio chamado Thyrogen que permite que o exame seja feito quando já estiver tomando o hormônio. Aparentemente, o governo deu ordem para que os convênios assumam este custo (que é caro), mas não aplicou a regra a si mesmo… :-( Que Deus a abençoe, Betty

  3. Miriam disse:

    Em 21/08/13 fiz a cirugia de retirada total da tiróide com o Dr. Celso Figuglietti.. Retirei um nódulo de 4 cm e mais 3 em médica 1-2 mm… E mais 201 de 1 mm na garganta… Por se tratar de papilifero o Dr. Celso me disse que se tivesse que escolher um câncer esse seria o indicado. Fiz a cirurgia no hospital Santa Catarina e passei mal depois da cirurgia onde tive uma dor terrivel de dor de cabeça.. Fui tratada por neurologista e com certeza foi problema com a anestesia… Tive todo o suporte do hospital e do de. Celso aque agradeço de coração.

    Depois de menos de 1 mês fiz a iodoterapia no hospital Osvaldo Cruz com de. tazima no qual só fiz o regime de iodo por 1 semana .. Fiquei 1 dia no hospital e 10 dias isolada para a descontaminacao… Foi sucesso… Depois comecei a toma Shyntroid 50mg.. O que depois de 3 meses passou a 100mg, depois para 150mg. Infelizmente tive que parar o tratamento que após 8 meses de cirurgia fiz outra de emergência onde tive uma hemorragia fortíssima onde fui internada no hospital 9 de julho e retirei útero, trompas e ovários devido a um mioma gigantesco… Com isso fiquei de abril a outubro sem ir ao médico,pois tive complicações com a cirugia… Agora voltei e o Dr. Celso me disse que estáva sem hormônios e com dores fortissimas nas juntas… Foi aumentado meu Syntroid de 175mg por 30 dias e farei dia 03/12/14 novamente a PCI… Dia 1/12 e 2/12 vou tomar a tyrogem novamente e dia 3/12 tomo uma dose de iodo que não terei que ficar separada e dia 4/12 a PCI para ver se está tudo correto é senão tem mais células cancerigenas, estou confiante que tudo dará certo. Gostaria de agradecer aqui todo o apoio do Dr, Celso e do Dr, tazima que me ajudaram muito a passar por tudo e mais essa turbilhão na minha vida, vámos lá para mais um processo,,. Isso é normal e assim vcs por 10 anos … Força para todos.

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